terça-feira, 20 de julho de 2010

APRENDER A APRENDER



Hoje a Anninha fez um mês.
Ao vê-la no meu colo, dormindo depois de mamar, me vem a constatação da nova percepção que adquiri do tempo.

Antes, um mês significava trabalhar, planejar, pagar contas, programar uma viagenzinha, se divertir, receber amigos, planejar o mês seguinte, resolver os problemas, administrar as urgências, sonhar, as vezes realizar, as vezes não.

Quando passava o mês, se eu fosse contar tudo o que tinha feito em um diário, com certeza usaria no mínimo umas cem páginas. A mudança de percepção do tempo, entretanto, me chega quando penso em escrever tudo o que aconteceu desde que a Anninha chegou.. Embora eu possa dizer que eles foram os mais intensos da minha vida, estes trinta dias caberiam em poucas páginas que se resumiriam a acordar, dormir, dar mamazinho, trocar uma fralda, dar um banho, esperar um “totô”, um arrotinho, checar o xixi, dormir um pouquinho, acordar de novo, mamazinho de novo, pit stop de fralda, dar colinho, dormir, acordar, xixi, fralda, mama, dormir, acordar....

Sim, este diário teria mesmo poucas páginas, mas teria um titulo: APRENDER.
Esta é a palavra que resume este mês.

Aprender a dormir picado, aprender a dar mamazinho, aprender a trocar fralda, perder o medo de dar banho, aprender a confiar nas pessoas, aprender a pedir ajuda, ( mais importante) a receber ajuda, a perceber as limitações dos outros, os esforços dos outros, aprender a dividir, a desapegar ( difícil) e deixar ela ir para outro colinho, aprender o por que ela chora, mas entre tantos aprendizados o mais perfeito é este: aprender a AMAR.

Em um mês, um único mês, transbordou em meu coração, meu corpo e minha alma, mais amor do que em todos os 428 meses que vivi até agora, aos 36 anos. É tanto, tanto amor, que você nem sabe o que faz.

Eu? O que eu fiz? Quando fui tomada por este preenchimento completo, pleno e absoluto? Chorei.
Chorei da hora que vi minha filha, em seus primeiros segundos de vida, e choro agora, sem pudor, só de lembrar o quanto a vida é perfeita com sua pequenina e tão significativa presença.

No filme brasileiro “Um copo de gelo e dois dedos de água” a personagem diz que todo mundo se surpreende com o amor quando se descobre mãe, por que na verdade nunca conheceu o amor antes. Concordo e engrosso o coro que eu sempre ouvi e nunca entendi, com um filho, você descobre o verdadeiro, incondicional e intenso AMOR.

E aí, você fica grata a Deus, ao mundo, aos anjos, ao universo, as pessoas e principalmente a sua filha, por ser ela a responsável por fazer com que você experimente tudo isto. E olha que foi só o primeiro mês...

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