terça-feira, 1 de dezembro de 2009

“Vida leva eu”



Eu sei, to grávida.
Mas até agora me espanto com esta história. Pareço burra, até. Como é que minha barriga já pode estar redonda e aparecendo?
Como é que estes enjôos começaram, parecem não ter fim e todo mundo jura que quando fizer 12, 13 semanas vai passar?
E olha que ainda vão faltar 28 para o bebe nascer... sinceramente, para minha ansiedade ( que a maioria dos amigos conhece bem) parece uma eternidade... Imagine! Eu que nunca consegui planejar nada com um mês, as vezes até com uma semana de antecedência!!! Eu, a rainha da disponibilidade, do improviso, do pego o carro e saio agora.... “Agora”? o “agora” mudou de conceito pra mim... Agora? Tenho 7 meses de espera... e sem planejamento!!! Na verdade vou ter que aprender a “deixar a vida me levar” como diz a Malú... Sim, por que fora trabalhar ( só um pouquinho) comer, dormir e vomitar (por enquanto, mas vai passar, vai passar!!!) não tem nadinha que eu possa fazer para contribuir para o resultado maximizado deste processo - é assim que eu gosto de vender o trabalho da Phábrica, ação focada, estratégia e tudo que puder ser feito para maximizar o resultado... que ironia! – não posso fazer nada, nadinha para acelerar, aperfeiçoar, moldar, controlar este “processo” ( rs) que estou vivendo... E obviamente, isto me apavora.

"lições"



Vou ter que confiar.
Eu, que descobri há um tempo no Processo Hoffman, que um dos padrões negativos era o de não me entregar, por medo de confiar, me vejo agora nesta lição que o destino me apresenta: confiar.
E desta vez não é na equipe, que sempre surpreende e faz acontecer – mas eu quase nunca confio – nem na família, nem nos amigos, nem no companheiro... tenho que confiar em algo impalpável, em algo que está alheio a minha compreensão consciente. É uma lição bem, bem difícil.
As vezes, começo a fracassar, procurando problemas, medos onde não existem... é minha desconfiança agindo, na espreita, como um mostro que mostra suas garras para me controlar...
E quando estes momentos chegam apelo justamente para o desconhecido, o impalpável, o abstrato, mas Aquele que sempre, sempre, sempre me atende e me acolhe: Deus, o universo, a natureza, a luz. E recupero minha força.... para seguir confiando, esperando, “deixando a vida me levar” neste desafio que promete ser uma grande lição de evolução.



A sortuda

Eu sou uma destas pessoas que realmente, realmente não podem reclamar da vida. De nada, nada, nada, nada!
As coisas meio que sempre aconteceram por acidente, sei lá, parece que sempre fui conduzida na hora certa, do jeito certo, com a oportunidade certa... até quando sofri alguma perda, pode olhar no capítulo seguinte: lá estava um ganho inesperado, surpreendente, que mudaria minha vida, para melhor.

Foi assim quando fui morar em Poloni aos 13 anos... na cidadezinha de 4 mil habitantes, conquistei autonomia, confiança, amor próprio e muito, muito mais. Graças as coisas ruins que literalmente me empurraram pra lá, par morar com meus avós maternos... meu tio me enchia de mimos e me transformava na garota mais bem vestida e popular da cidade...mesmo que eu negociava minhas saídas a noite – para merecer ir passear na praça e dar umas paqueradas, eu tinha que ir a missa, participar do grupo de jovens- eu ia feliz e ainda dava um jeitinho de paquerar o moço mais bonito... danadinha.

Aí, dona Irene, percebendo os hormônios a flor da pele da neta, me mandou de volta pra Barretos... quem imaginaria que morar com o pai, que eu considerava bravo, bravo, bravo ( mesmo) e com uma madrasta apenas 6 anos mais velhar que eu, iria também fazer diferença na minha vida???? E fez.
Aprendi a respeitar meu corpo, meus limites, a desejar mais e a fazer por merecer. Graças aos dois, pai bravo e madrasta que mais parecia uma irmã mais velha...
Depois hora de escolher faculdade, o que fazer, ai meu Deus? A pressão existia, mas sinceramente, não chegava até mim... engraçado, acho que a minha mãe fez direitinho o papel dela na minha infância, por que não era normal uma menina de 17 anos ter tanta segurança, sem nem saber o que queria da vida... Aí foram um sucessão de milagres, como a Michele gosta de falar... entrei na faculdade, sem nem fazer cursinho, tinha um ônibus que viajava todo dia pra Rio Preto, o Joel disse que ajudaria com a mensalidade, enfim, tudo perfeito....
Até que veio o plano que boicotou a poupança de todo mundo, e meu pai, bem... começou a se esforçar para pagar a facu... e de novo veio quem? A Vida e me deu um presente: um crédito educativo. 80% de bolsa, ufa... agora era só arranjar mais um emprego....

Olha, nem sei como foi que eu fiz para trabalhar em dois lugares, pagar ônibus, material, os 20% da facu e ainda comprar bolsas, calças, sapatos, sair de fim de semana, etc...
Não sei explicar nem como foi que eu paguei o credito, só sei que paguei... peguei o diploma, abri a empresa e to aqui... com os dois escritórios nas cidades que eu mais adoro, rodeada de gente boa, competente de coração e de trampo...

Um dia eu conto a trajetória profissional. E outro dia a afetiva. O fato é que dentro da barriga e fora dela, no trampo, na família, nos amigos e no amor, tá tudo bem, muito bem. Que continue assim, Amém.