
A sortuda
Eu sou uma destas pessoas que realmente, realmente não podem reclamar da vida. De nada, nada, nada, nada!
As coisas meio que sempre aconteceram por acidente, sei lá, parece que sempre fui conduzida na hora certa, do jeito certo, com a oportunidade certa... até quando sofri alguma perda, pode olhar no capítulo seguinte: lá estava um ganho inesperado, surpreendente, que mudaria minha vida, para melhor.
Foi assim quando fui morar em Poloni aos 13 anos... na cidadezinha de 4 mil habitantes, conquistei autonomia, confiança, amor próprio e muito, muito mais. Graças as coisas ruins que literalmente me empurraram pra lá, par morar com meus avós maternos... meu tio me enchia de mimos e me transformava na garota mais bem vestida e popular da cidade...mesmo que eu negociava minhas saídas a noite – para merecer ir passear na praça e dar umas paqueradas, eu tinha que ir a missa, participar do grupo de jovens- eu ia feliz e ainda dava um jeitinho de paquerar o moço mais bonito... danadinha.
Aí, dona Irene, percebendo os hormônios a flor da pele da neta, me mandou de volta pra Barretos... quem imaginaria que morar com o pai, que eu considerava bravo, bravo, bravo ( mesmo) e com uma madrasta apenas 6 anos mais velhar que eu, iria também fazer diferença na minha vida???? E fez.
Aprendi a respeitar meu corpo, meus limites, a desejar mais e a fazer por merecer. Graças aos dois, pai bravo e madrasta que mais parecia uma irmã mais velha...
Depois hora de escolher faculdade, o que fazer, ai meu Deus? A pressão existia, mas sinceramente, não chegava até mim... engraçado, acho que a minha mãe fez direitinho o papel dela na minha infância, por que não era normal uma menina de 17 anos ter tanta segurança, sem nem saber o que queria da vida... Aí foram um sucessão de milagres, como a Michele gosta de falar... entrei na faculdade, sem nem fazer cursinho, tinha um ônibus que viajava todo dia pra Rio Preto, o Joel disse que ajudaria com a mensalidade, enfim, tudo perfeito....
Até que veio o plano que boicotou a poupança de todo mundo, e meu pai, bem... começou a se esforçar para pagar a facu... e de novo veio quem? A Vida e me deu um presente: um crédito educativo. 80% de bolsa, ufa... agora era só arranjar mais um emprego....
Olha, nem sei como foi que eu fiz para trabalhar em dois lugares, pagar ônibus, material, os 20% da facu e ainda comprar bolsas, calças, sapatos, sair de fim de semana, etc...
Não sei explicar nem como foi que eu paguei o credito, só sei que paguei... peguei o diploma, abri a empresa e to aqui... com os dois escritórios nas cidades que eu mais adoro, rodeada de gente boa, competente de coração e de trampo...
Um dia eu conto a trajetória profissional. E outro dia a afetiva. O fato é que dentro da barriga e fora dela, no trampo, na família, nos amigos e no amor, tá tudo bem, muito bem. Que continue assim, Amém.

Jôjo!!! Te adoro...qdo crescer quero ser como vc!!!Beijos Veri
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