Nas minhas férias fui parar em uma montanha no Canadá, em uma cidadezinha chamada Whistler. Quando dei por mimm me vi com uma prancha enorme presa nos meus pés, botas, roupa de neve e medo, muito medo. Eu que mal me equilibrava nas botas especiais para andar, me preparava para começar a aprender o snowboard, o esporte mais praticado na montanha.
No primeiro dia tombos e mais tombos.
Fui para uma pista onde as crianças aprendiam os princípios básicos do snowboard. Eu, a única adulta do pedaço, orientada pela Rebecca e pelo Jader, nossos amigos experts no assunto, percebi que o snowboarding invadiu a minha alma: no meio das criancinhas abarrotadinhas de roupas de frio, eu me permiti virar criança de novo.
A cada tombo, a dor no bumbum era quase divertida. Tudo tão novo. Primeiro consegui ficar em pé na prancha, nossa que vitória!! Depois aprendi a brecar, depois a deslizar. Cada pequena evolução era comemoradíssima por mim e pelos meus generosos instrutores. Lembrei como é bom aprender, se entregar, confiar.
Mais de 200 ( não estou exagerando!) tombos e sete dias depois, eis que eu quase estava snowbordiando... e que delicia!
Que delicia curtir o esporte, mas, mais que isto! Que delicia a sensação do controle, de ter vencido o medo do novo. Fiquei com orgulho de mim mesma.
Não leitor, eu não voltei fazendo curvas e saltos como os atletas profissionais. Mas confesso que fiz curvas incríveis e dei grandes saltos sim, só que dentro de mim.
Descobri que tudo o que precisamos para obter o equilíbrio na prancha, é o mesmo que precisamos para manter o equilíbrio na vida: foco, concentração, saber para onde se quer ir e mover o corpo, o coração e a mente para esta direção.
Um dia, eu quase fui parar no penhasco que ficava a minha direita. Eu não queria ir, tinha muito medo, mas parece que quanto maior o pânico, mais meu corpo literalmente me empurrava pra lá. Pra não acontecer o pior, me joguei no chão da pista em mais um tombo espetacular. Sentadinha na neve, pensei na lei da atração: quando focamos no medo, atraímos o que não queremos. Dava pra ouvir o barulho das fichas caindo...
Levantei rapidamente, foquei no que eu queria e consegui me mover tranquilamente para a esquerda, bem longe do penhasco.
Depois desta viagem, quando me pego com medo, penso naquela prancha, no meu corpo e no penhasco.
Neste momento, paro tudo.
Reposiciono meus pensamentos e foco no que eu quero, por que depois de Whistler, tenho certeza, é pra lá que meu corpo, minha mente e meu coração vão me levar, deslizando, sem medo.
Aí é só relaxar e curtir...
terça-feira, 4 de agosto de 2009
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